Nica, não implica! ? Suyan Machado: Histórias que aproximam as crianças do cotidiano e das relações ajudam a construir empatia e tornam a leitura mais significativa. Divulgação
Instituto Ayrton Senna distribuirá em 2026 mais de 48 mil livros para fortalecer a leitura em escolas públicas
Até pouco tempo, abrir um livro não fazia parte da rotina da Sophia, de 10 anos, aluna da rede municipal de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. “Eu nunca lia direito. Agora eu estou gostando muito de ler”, conta. A mudança pode parecer simples, mas, para milhares de estudantes da rede pública, ela marca um ponto de virada.
No Brasil, o desafio é estrutural. Segundo o MEC, 59,2% das crianças estão alfabetizadas ao final do 2º ano do Ensino Fundamental. Ainda assim, ao longo da trajetória escolar, as lacunas de aprendizagem se acumulam e afetam diretamente o desenvolvimento, a permanência e a confiança dos alunos. É nesse cenário que a leitura deixa de ser apenas uma habilidade e passa a ocupar um lugar central nas estratégias educacionais.
Em 2026, o Plano Anual Instituto Ayrton Senna, apresentado pelo Ministério da Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, leva literatura, formação e atividades culturais para mais de 360 mil estudantes e educadores em redes municipais e estaduais de ensino brasileiras. São mais de 48 mil livros que serão distribuídos ao longo de 2026, além de oficinas e cursos que ajudam a incorporar a leitura no cotidiano escolar.
Esse movimento ganha força justamente na sala de aula, onde a mudança começa a aparecer de forma mais concreta. Ao entrar em contato com os livros, muitos estudantes passam a reconstruir sua relação com a aprendizagem. “Quando eu conheci o projeto, eu comecei uma nova vida. Saí de um caminho e fui para outro. Fui aprendendo a ler algumas palavras…”, conta Allana, de 10 anos, também estudante da rede municipal de Nova Iguaçu.
No início, a leitura acontece de forma mais guiada, com textos curtos, imagens e mediação dos professores. Com o tempo, o hábito se consolida e passa a fazer parte da rotina.
Esse processo também muda a forma como os alunos se veem. “Hoje eu acho que eu tenho um superpoder, que eu sei ler”, diz Davi, de 13 anos, aluno da rede municipal de São Luís, no Maranhão. A transformação ultrapassa o ambiente escolar e chega às famílias. Em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, a avó de Jessylen, de 9 anos, acompanha esse impacto de perto e resume: a neta está mais feliz, mais envolvida e já leva livros para casa com frequência.
A proposta do Plano Anual Instituto Ayrton Senna integra diferentes frentes, que vão da alfabetização à recomposição da aprendizagem, combinando formação de professores, fortalecimento da gestão escolar e ampliação do acesso a materiais de qualidade. Nesse conjunto, a leitura funciona como um eixo transversal, conectando aprendizagem, cultura e desenvolvimento integral.
CURADORIA DOS LIVROS
Além de ampliar o acesso, o Plano Anual também aposta na qualidade do que chega às mãos dos estudantes. Em 2025, por exemplo, foram 40 títulos selecionados e distribuídos, a partir de uma curadoria que combina clássicos da literatura brasileira, obras contemporâneas e livros que dialogam com temas como identidade, diversidade e pertencimento.
“Nica, não implica!”, de Suyan Machado, “Educando crianças antirracistas”, de Bárbara Carine Soares Pinheiro, “O menino que quase virou cachorro”, de Ruth Rocha, “Menino Azul”, de Cecília Meireles, “A terra dos meninos pelados”, de Graciliano Ramos, “Contos indígenas brasileiros”, de Daniel Munduruku, e “Pequeno Manual antirracista”, de Djamila Ribeiro foram alguns dos títulos contemplados em 2025. A seleção também incluiu poesia e literatura brasileira de diferentes gerações, como “Berimbau e outros poemas”, de Manuel Bandeira, e “Literatura, pão e poesia”, de Sérgio Vaz.
A curadoria dos livros sempre busca escolher as melhores obras considerando cada estágio da aprendizagem dos alunos. Uma boa seleção aproxima estudantes de diferentes vozes, locais e experiências. Quando o aluno se reconhece no que lê, a leitura deixa de ser uma obrigação e passa a fazer sentido na vida dele", afirma Marcos Drummond, gerente de Canais do Instituto Ayrton Senna.
Com a presença dos livros no cotidiano escolar, a leitura deixa de ser pontual e passa a fazer parte da experiência dos alunos. Aos poucos, ela se transforma em ferramenta de expressão, construção de repertório e ampliação de horizontes. “Depois que eu aprendi a ler, eu falei que vou seguir meu estudo, vou aprender a ler muito”, diz Paulo, de 11 anos, aluno da rede municipal de Natal, no Rio Grande do Norte.
No Dia Mundial do Livro, celebrado em 23 de abril, essas histórias ajudam a deslocar o debate. Não se trata apenas de incentivar o hábito da leitura, mas de garantir que ele aconteça, de forma estruturada, dentro da escola pública. Para muitos desses alunos, o primeiro livro não é só o início de um aprendizado, mas o começo de uma nova trajetória.
Ministério
Sobre o Instituto Ayrton Senna
Fruto do sonho do tricampeão mundial de Fórmula 1, o Instituto Ayrton Senna é um centro de inovação que busca acelerar a qualidade da educação pública no país. Fazemos isso por meio de pesquisa e inovação, implementação de programas educacionais e contribuição com políticas públicas. Realizamos parcerias com redes de ensino públicas em todo o Brasil para promover alfabetização, melhoria da aprendizagem, desenvolvimento das competências socioemocionais e gestão educacional. Em todos eles, trabalhamos com diagnósticos, formação de educadores e gestores, estabelecimento de metas, monitoramento de indicadores e oferecendo ferramentas e materiais educacionais para serem utilizados em sala de aula. Ao longo de sua atuação, o Instituto já realizou mais de 40 milhões de atendimentos a crianças e jovens, em cerca de 3,3 mil municípios. Ao acelerar a qualidade da educação, o Instituto Ayrton Senna cria caminhos para um futuro melhor.
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