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Livro que reúne canções que marcaram a trajetória musical do Ilê Aiyê será lançado amanhã (7)
A música como memória viva, território de resistência e expressão de identidade coletiva será celebrada amanhã (7), durante o lançamento do livro Cantos de Ancestralidade – Antologia Musical do Ilê Aiyê. A publicação reúne canções emblemáticas que ajudaram a contar, ao longo de cinco décadas, a trajetória do primeiro bloco afro do Brasil. O lançamento acontece a partir das 14h, na Senzala do Barro Preto, no Curuzu, integrando a cerimônia de encerramento do projeto Música e Educação.
Gratuito e aberto ao público, o evento propõe uma tarde de encontro e reconhecimento de todos aqueles que contribuíram para a construção e consolidação da história musical do Ilê Aiyê. A programação terá apresentação de Val Benvindo, além de contar com falas de Antônio Carlos Vovô, presidente do Ilê Aiyê, Danillo Barata, pró-reitor de Extensão e Cultura da UFRB e editor-curador do selo editorial Anjo Negro, e Valéria Lima, diretora-executiva do Instituto da Mulher Negra Mãe Hilda Jitolu e organizadora da obra. O encontro também terá participação de Catarina Lima, responsável pela pesquisa das músicas, e das autoras Arany Santana e Lindinalva Barbosa, que assinam textos da publicação.
Um dos momentos mais emblemáticos da programação será a participação dos compositores convidados, protagonistas dessa trajetória. Em espaço aberto de fala, poderão compartilhar histórias, memórias e processos criativos por trás das canções, além de recitar e entoar trechos que marcaram época. A expectativa é de um momento potente e emocionante, com a memória viva do Ilê Aiyê se manifestando na voz de quem construiu sua história. O encerramento será com show da Band’Erê, banda mirim do Ilê Aiyê, que apresentará algumas dessas composições.
Sobre o livro
Organizado por Valéria Lima, com pesquisa de Catarina Lima, Cantos de Ancestralidade se consolida como um registro histórico e afetivo da produção musical do Ilê Aiyê. A obra reúne mais de 200 composições e contribuições de diferentes autores e autoras, preservando e compartilhando um patrimônio cultural que atravessa gerações por meio da música, da palavra e da ancestralidade. Mais do que uma coletânea de composições, reafirma a potência da cultura negra e o legado construído coletivamente pelo Ilê Aiyê, referência nacional e internacional na valorização da identidade afro-brasileira.
Para Valéria Lima, além de preservar a memória e a trajetória do Ilê Aiyê, a publicação se apresenta como uma ferramenta concreta para a educação. A obra contribui diretamente para a implementação da Lei 10.639/2003, que estabelece a Política Nacional de Educação Étnico-Racial e a educação escolar quilombola, ao oferecer material didático acessível e alinhado à realidade brasileira. Em um cenário em que muitos educadores ainda apontam a falta de conteúdos como obstáculo para aplicar a lei em sala de aula, o livro se posiciona como um recurso de apoio a essa prática em escolas de todo o país.
“As letras de música do Ilê contam a história do povo negro do Brasil e de África, além de falar de muitas personalidades da história negra brasileira, então, é uma ferramenta de estudo. Além disso, é também uma grande homenagem aos compositores do Ilê que fazem esse trabalho ao longo de mais de 50 anos, cantando a nossa história para que a gente possa, de fato, conhecê-la através da arte, da cultura, da música e da dança”, afirma.
“Esse livro é extremamente importante, sobretudo quando pensamos na musicalidade do Ilê. Aqui, nós não utilizamos muitos discursos formais; são as músicas, especialmente as músicas-tema, que informam e educam. É por meio da música e da poesia que trabalhamos o resgate da autoestima do povo negro, do homem negro e, principalmente, da mulher negra”, realça o presidente do bloco Ilê Aiyê, Antônio Carlos Vovô.
Música e Educação
O projeto “Música e Educação” é desenvolvido pelo Bloco Ilê Aiyê, pelo Instituto da Mulher Negra Mãe Hilda Jitolu, Olodum e pela Casa da Ponte – Orquestra Afrosinfônica, em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e com apoio do Ministério da Educação, por meio da SECADI. O livro Cantos de Ancestralidade – Antologia Musical do Ilê Aiyê integra essa iniciativa e é uma realização do Instituto da Mulher Negra Mãe Hilda Jitolu.
O projeto marcou a retomada das atividades da Escola Mãe Hilda que estavam paralisadas desde a pandemia da Covid 19. Ao longo de 2025, a iiciativa articulou ações formativas, culturais e pedagógicas voltadas à implementação da Política Nacional de Educação Étnico-Racial e da educação escolar quilombola, tendo como eixo central a valorização da cultura afro-brasileira, a preservação da memória e a promoção da educação antirracista.
SERVIÇO
Lançamento do Livro Cantos de Ancestralidade – Antologia Musical do Ilê Aiyê
Local: Senzala do Barro Preto
Data: 07.04.2026
Horário: A partir das 14h
