Foto: Divulgação/Stellla Seixas
ARTIGO - Biografia: apenas um relato? = Por Cristina Seixas
Resiliência, otimismo e perseverança
Por motivos econômicos foi transferido para o Istituto Don Bosco, em Alexandria, em sistema de internato, um misto de escola, arte e ensino profissionalizante, no caso a alfaiataria, que, segundo o pai, lhe proporcionaria sempre a oportunidade de trabalhar. Aos 15 anos, devido à piora econômica familiar, teve que suspender os estudos e retornar ao Cairo. Foi o único dos quatro filho a ajudar em casa. Ingressou, assim, em uma alfaiataria. Com a base sólida adquirida no instituto, somada ao seu ótimo desempenho, começou a dominar a arte da alfaiataria.
Aos 23 anos, o destino aprontou um novo golpe. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, por ser italiano e o Egito um protetorado inglês, foi preso e enviado a um campo de detenção, no meio do deserto, onde passou 4 anos enfrentando situações das mais adversas, superadas com a sua forma de ser e de agir.
Em 1945 voltou para casa e recomeçou a vida exercendo o ofício que já dominava. Nessa época se deparou com Teresa, adolescente, sua futura companheira de toda a vida. Porém, mais um revés do destino o surpreendeu: a família dela se mudou para o Brasil. Vittorio, já um exímio alfaiate, trabalhou bastante e, em 1947, viajou rumo às terras brasileiras.
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Mas sua determinação e sua segurança
Escrever este livro me fez perceber a importância que a biografia tem para a preservação da memória social, ao transformar relatos de vida e experiências pessoais, mesmo de pessoas comuns, em fontes de conhecimento, e ajudar a entender contextos de uma época. A história de Vittorio, não é apenas um relato pessoal, porque transporta o leitor a fatos e costumes diversos, em uma verdadeira viagem cultural e social.
Cristina Seixas é jornalista, tradutora, produtora de eventos de moda, estilista e autora do livro "Rabena Karib: Jornada entre o deserto e o mar"
