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Dia Mundial dos Cuidados Paliativos: especialista do Hospital Mont Serrat destaca importância da dignidade e da qualidade de vida no acolhimento ao paciente
Ainda existe uma compreensão equivocada de que cuidados paliativos significam apenas cuidar de quem está morrendo. Na verdade, cuidados paliativos significam cuidar de pessoas que convivem com doenças graves e ameaçadoras da vida, buscando aliviar o sofrimento e promover qualidade de vida, dignidade, autonomia e respeito às escolhas do paciente e de sua família. E esse cuidado pode – e deve – começar muito antes dos últimos dias de vida.
Referência de atendimento humanizado, o Hospital Mont Serrat, unidade vinculada ao Governo da Bahia e gerida pelas Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) – além de ser o primeiro complexo hospitalar SUS do país dedicado exclusivamente aos cuidados paliativos –, desenvolve diversas iniciativas para buscar aproximar essa discussão da sociedade. “Nossas ações de educação, comunicação e aproximação com pacientes, familiares e comunidade procuram naturalizar conversas sobre adoecimento, finitude, escolhas e planejamento do cuidado. Temos o Espaço do Viver, por exemplo, onde proporcionamos a pacientes e cuidadores momentos de encontro nos quais o sagrado, os vínculos, as histórias e aquilo que dá sentido à vida de cada pessoa são colocados em primeiro plano”, explica a diretora médica do Hospital Mont Serrat, a médica paliativista Yanne Amorim.
Uma oportunidade para trazer mais luz ao assunto acontece durante as ações que marcam o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos – celebrado anualmente no segundo sábado de outubro, sendo lembrado este ano no próximo dia 10. A data foi criada com o objetivo de conscientizar governos e a sociedade sobre a importância de garantir dignidade, conforto e suporte a pessoas com doenças graves ou que ameaçam a vida. “Mesmo quando a cura não é possível, há muito a ser feito: controlar sintomas, acolher medos, fortalecer vínculos, facilitar conversas importantes e permitir que cada pessoa viva, com a maior qualidade possível, o tempo que tem”, ressalta Yanne.
Neste ano, o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos traz como tema “Manejo da dor: uma parte essencial dos cuidados paliativos”. A diretora do Hospital Mont Serrat salienta que falar de dor em cuidados paliativos é compreender que essa dor não se limita ao corpo – o sofrimento humano pode envolver dimensões físicas, emocionais, sociais e espirituais e todas elas precisam ser reconhecidas e cuidadas: “Por isso, tratar a dor é também escutar, acolher, compreender o que importa para aquela pessoa e construir um plano de cuidado que faça sentido para ela. Falar sobre cuidados paliativos não é falar apenas sobre morte. É, sobretudo, falar sobre como queremos cuidar e ser cuidados diante da vulnerabilidade humana. E talvez seja justamente essa uma das mensagens mais importantes deste Dia Mundial: aliviar a dor e o sofrimento também é preservar a vida até o último instante”.
Qualidade de vida até o fim - Inaugurado em janeiro de 2025, já sob a gestão da OSID e vinculado ao Governo da Bahia, o Hospital Mont Serrat está instalado em Salvador, em um prédio histórico no bairro Monte Serrat, e conta com leitos de enfermaria e serviço de apoio diagnóstico e terapêutico, em um espaço requalificado que possibilita a atenção à saúde humanizada em prol da qualidade de vida, conforto e dignidade de pacientes com doenças graves, crônicas ou em finitude da vida. A unidade é um importante espaço de acolhimento para quem passa por esse momento delicado da vida, visando aliviar a dor, a ansiedade e o sofrimento físico, espiritual e social. O propósito é oferecer presença, conforto e qualidade de vida até o fim. Com o Hospital Mont Serrat de Cuidados Paliativos, as Obras Sociais Irmã Dulce expandem a atuação da instituição com um trabalho diferenciado, humanizado e comprometido com os valores de Santa Dulce dos Pobres.
A unidade reúne 70 leitos clínicos de enfermaria, distribuídos em uma infraestrutura com ambulatórios, serviços de bioimagem, laboratório, telemedicina e suporte de ensino e pesquisa para capacitação dos profissionais internos e externos das unidades de saúde. O HMS também disponibiliza interconsultas em diversas especialidades para pacientes internados, como cardiologia, neurologia, psiquiatria, nutrologia e pneumologia, bem como unidades específicas para terapia da dor e apoio ao luto. Por mês, o hospital realiza em torno de 130 internamentos e 1.200 atendimentos ambulatoriais.
Por Adriana Patrocínio
