Um dos achados da pesquisa foi a produção de protótipos de creme dental, gel dental e enxaguante bucal à base de óleo de licuri. Foto: joasouza/ Depositphotos
Projeto da Sudene, UFPE e Univasf transforma biodiversidade da Caatinga em inovação e oportunidades econômicas
Transformar a biodiversidade da Caatinga em conhecimento, tecnologia, produtos e novas oportunidades econômicas. Esse foi um dos principais objetivos da Rede Impacta Caatinga, projeto desenvolvido e já concluído pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). A iniciativa recebeu R$ 415,3 mil em recursos da Sudene e buscou aproximar a pesquisa científica de agricultores familiares, organizações socioprodutivas, empresas, startups e instituições públicas.
O projeto estudou espécies da Caatinga com potencial para a produção de itens de maior valor agregado, entre elas maracujá da Caatinga, licuri, umbu, acerola e pitanga. Também foram desenvolvidas pesquisas com peptídeos presentes na peçonha do escorpião Tityus stigmurus, que apresentaram atividade antimicrobiana e antibiofilme, inclusive contra cepas multirresistentes.
Entre os resultados do projeto estão extrato fluido e tintura de maracujá da Caatinga, além de protótipos de creme dental, gel dental e enxaguante bucal à base de óleo de licuri. A Rede Impacta Caatinga também resultou no desenvolvimento de produtos cosméticos, sabonete esfoliante, farinha nutracêutica produzida a partir de resíduos agroindustriais e formulações com potencial farmacêutico. Outra frente de trabalho envolveu a elaboração de monografias de espécies da Caatinga para a RENISUS (Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS) e estudos voltados ao desenvolvimento de protetor solar.
Além dos produtos e protótipos, a iniciativa produziu conhecimento científico em diferentes áreas, incluindo artigos publicados e submetidos, dissertação de mestrado, trabalhos de conclusão de curso, pesquisas de iniciação tecnológica, estudos farmacológicos e físico-químicos, além de análises relacionadas à economia rural, legislação e ambiente regulatório. Também foram realizados estudos com potencial de geração de propriedade intelectual e desenvolvidos protótipos tecnológicos.
Um dos diferenciais do projeto foi aproximar a produção
científica das organizações socioprodutivas da agricultura familiar.
Segundo a Diretoria de Promoção do Desenvolvimento Sustentável da
Sudene, foram mapeadas e envolvidas cooperativas
e organizações dos estados da Bahia e de Pernambuco. A iniciativa também
promoveu oficinas para capacitar lideranças em temas como mapeamento de
cadeias de valor e bioinsumos, contribuindo para ampliar o conhecimento
sobre as possibilidades de
agregação de valor aos produtos.
Para o economista da Sudene Frederico Cavalcanti, a proposta é
contribuir para uma mudança na forma tradicional de exploração dos
recursos da biodiversidade. “Em vez de simplesmente vender uma fruta,
uma semente ou um óleo como
matéria-prima, busca-se desenvolver biodiversidade, pesquisa,
tecnologia, produto, mercado e renda. Isso significa agregar valor à
biodiversidade dentro das próprias cadeias produtivas, criando novas
possibilidades econômicas para agricultores
familiares e organizações locais”, enfatizou.
Embora o projeto tenha sido concluído, as ações terão
continuidade, pois parte das tecnologias desenvolvidas ainda precisa
avançar em etapas de validação, regulamentação e consolidação comercial.
Alguns resultados, entretanto, já estão
mais próximos do mercado, como os protótipos odontológicos associados à
Opará (Observatório das Políticas Afirmativas Raciais) e à Coopes
(Cooperativa de Trabalho em Serviço de Saúde).
Além do financiamento de R$ 415,3 mil destinado ao projeto Rede
Impacta Caatinga, a Sudene também atuou na articulação institucional
entre as entidades participantes. A estratégia teve como objetivo
potencializar iniciativas socioeconômicas e
ambientais sustentáveis, fortalecer Arranjos Produtivos Locais (APLs)
existentes e estimular a formação de novos APLs. A integração entre
universidades, organizações produtivas, empresas e instituições públicas
permite que conhecimentos gerados
pela pesquisa sejam direcionados para o desenvolvimento de produtos e
tecnologias com potencial de chegar ao mercado.
Fonte: Sudene
