Foto: Breno Lobato
Touros melhoradores são uma ferramenta de lucro na pecuária de corte
confiabilidade”, comentou Magnabosco, também citando a redução do intervalo de geração para machos (de cinco anos no touro de quatro anos para três anos no touro jovem BRGN) e números superiores para ganho genético anual em peso aos 210 dias, peso ao ano e stayability.
A superioridade genética do BRGN também é comprovada em dados de peso, rendimento da carcaça e eficiência alimentar. Em mil cabeças, a DEP para peso aos 450 dias é de 6,3 (Nelore de quatro anos) e de 25,12 (Nelore BRGN jovem), ou seja, o ganho de produção passa de mais 6300 kg para mais 25.120 kg por mil cabeças. O rendimento de carcaça sobe de 51,72% para 53,53%; o peso de abate com genética aumenta de 505,8 kg para 540,12 kg; e o custo diário de alimentação é de R$ 9,72 para o touro Nelore de quatro anos e R$ 9,48 para o touro Nelore BRGN jovem. “Somando todas essas características, diminuindo o custo e aumentando o ganho, temos valores extremamente interessantes em favor do touro avaliado. No caso, um animal da marca Embrapa”, analisou o pesquisador.
Impactos de touros avaliados no rebanho
Para ilustrar como o uso de touros avaliados é importante para o sucesso reprodutivo dos rebanhos, Magnabosco apresentou dados reais de DEPs de reprodutores para probabilidade de parto até os 30 meses (DPP30) variando de 36% a 63%. Do grupo de touros cuja DPP30 é 36%, somente 8% das filhas conseguiram emprenhar até os 30 meses de idade; do grupo de touros com DPP30 de 49,5%, 47% das filhas ficaram prenhas até os 30 meses; e no grupo de touros com DPP30 de 63%, 98% das filhas efetivaram a prenhez até os 30 meses. “Ou seja, se você não tiver touros avaliados, não adianta dar comida, pois estará jogando dinheiro fora. O animal tem que ter potencial genético para emprenhar, e o uso de touros melhoradores é fundamental”, disse, também mostrando dados que correlacionam melhores DEPs para perímetro escrotal de touros a maiores taxas de prenhez das filhas.
Já o impacto econômico proporcionado por animais avaliados quanto à eficiência na conversão de alimento em carne foi demonstrado por um experimento que comparou dois touros em confinamento – um pesando 602 kg e outro de 565 kg. O ganho médio diário de peso previsto para ambos era de 1,74 kg/dia, com consumo alimentar esperado bem semelhante: 12,74 kg/dia e 12,16 kg/dia, respetivamente. Já o consumo de alimento real médio ao longo de 90 dias foi de 13,15 kg/dia (+0,419 kg ou 3,45% mais que o previsto) pelo touro de 602 kg e de 11,70 kg/dia (-0,564 kg ou 4,65% menos que o previsto) pelo de 565 kg, sendo este, portanto, o animal com a maior eficiência alimentar da dupla. A diferença de consumo entre os dois animais após 90 dias foi de 8,18%, o equivalente a R$ 368,01 (cerca de R$ 4 por dia), considerando o kg de alimento a R$ 2,82.
“Vamos pensar que a herdabilidade da característica eficiência alimentar é 0,50 (50%) e temos, nesse caso, um touro com genética para consumo alimentar 4,65% menor que o esperado. Se coletarmos o sêmen, emprenharmos as vacas e fizermos o confinamento de mil filhos desse touro consumindo R$ 4 a menos de alimento por dia, economizaremos R$ 360 mil após 90 dias só pelo fato de termos usado um animal eficiente”, explicou.
O pesquisador comentou que, apesar das diferenças em eficiência alimentar entre os touros, os preços das doses do sêmen comercializadas são os mesmos. “Só que o produtor tem que comprar aquilo que o seu sistema de produção precisa, e não o que a central de inseminação quer lhe vender”, afirmou, apresentando exemplos de índices de touros melhoradores da Embrapa Cerrados com avaliação genômica e vinculados a programas de melhoramento genético. Os dados dos animais demonstram que não existe um reprodutor igual ao outro, já que eles podem se destacar em diferentes características, como produção de leite (pelas filhas), stayability, acabamento de carcaça, produtividade acumulada, idade das filhas ao primeiro parto e área de olho de lombo.
Segundo Magnabosco, touros avaliados como melhoradores são animais identificados como geneticamente superiores e que melhoram a eficiência produtiva e reprodutiva dos rebanhos, proporcionando ganhos genéticos e econômicos cumulativos. Eles aceleram a precocidade sexual, encurtando o ciclo de produção; são voltados à produção de carne e carregam eficiência produtiva, velocidade de crescimento, precocidade sexual e de terminação, agregando valor ao rebanho.
“O touro melhorador é uma ferramenta de lucro. De uma geração para outra, o ganho genético é cumulativo e permanente, assim como o erro, o ‘pioramento’ (genético). O investimento em genética realmente vale a pena porque muda a cara do rebanho. Vários touros avaliados representam isso”, concluiu o pesquisador.
O painel “Desafios e oportunidades na pecuária de corte” também contou com palestras do pesquisador Marcelo Ayres, da Embrapa Cerrados (“Se até o boi mudou, por que seu pasto continua o mesmo?”); Letícia Pereira, do Instituto de Zootecnia e Programa GMA-USP (“Estratégias para aumentar a eficiência e a rentabilidade do rebanho de cria”); e Ricardo Arantes, da TRI Comunicação (“Desafios do agro moderno: como enfrenta-los?”).
