Trata-se de uma síndrome de dor crônica difusa, caracterizada por uma alteração no processamento dos estímulos dolorosos pelo sistema nervoso central. Imagem: Divulgação/Canva
Reumatologista do HU-UFS fala sobre diagnóstico e tratamento da fibromialgia
Apesar de reconhecida pela medicina, a fibromialgia ainda é
frequentemente incompreendida pela sociedade. Trata-se de uma síndrome
de dor crônica difusa, caracterizada por uma alteração no processamento
dos
estímulos dolorosos pelo sistema nervoso central. Como não existem
exames laboratoriais ou de imagem capazes de confirmar diretamente a
doença, o diagnóstico é essencialmente clínico e exige uma avaliação
cuidadosa.
A reumatologista do Hospital Universitário
da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS/HU Brasil), Monica Valeria
Vechi, explica o que caracteriza a fibromialgia, como é feito o
diagnóstico e quais são as principais formas de tratamento. “A
fibromialgia é uma condição caracterizada por dor crônica generalizada,
acompanhada de sintomas como sono não reparador, fadiga, cefaleia,
alteração de concentração e memória, dentre outros. É comum a sua
associação com transtornos de humor,
como ansiedade e depressão”, resume a médica.
Trata-se de uma
síndrome de dor crônica difusa, o que significa que os pacientes
apresentam dores generalizadas, que podem ser percebidas em diferentes
partes do corpo, incluindo músculos,
tendões e articulações. No entanto, essas dores não são necessariamente
provocadas por uma lesão nos locais em que são sentidas.
Alteração no processamento da dor
A
condição está relacionada a uma alteração no processamento da dor pelo
sistema nervoso central. Do ponto de vista médico, trata-se de uma dor
crônica primária, ou seja, não existe
necessariamente uma lesão periférica nos tecidos que explique o
surgimento da dor.
De acordo com Monica Valeria, a fibromialgia é
uma síndrome e, na medicina, isso significa que existe um conjunto de
sinais e sintomas que caracteriza
determinada condição, sendo o sintoma mais relevante a presença de dor
difusa e generalizada. “O diagnóstico de fibromialgia é eminentemente
clínico. O exame físico e os exames complementares ajudam a afastar
outras patologias, que podem causar
sintomas semelhantes”, esclarece.
Casos mais comuns
Além
da predisposição familiar, diversas variáveis biopsicossociais podem
favorecer o desenvolvimento da condição. Pessoas que apresentam
transtornos de humor, como depressão e ansiedade, podem ter
maior risco. Ambientes com níveis elevados de estresse, como situações
familiares disfuncionais ou locais de trabalho muito estressantes,
também podem contribuir para o aparecimento dos sintomas. “A
fibromialgia é mais comum em mulheres na faixa
etária de 30 a 50 anos, porém pode acometer todas as idades, e o sexo
masculino também”, alerta a reumatologista.
Para ela, grande parte do controle da dor a
longo prazo depende de mudanças no estilo de vida. O paciente precisa
conhecer a doença e identificar os fatores que agravam ou desencadeiam
as crises. “O tratamento inclui atividade física regular, sendo
que todas as modalidades têm benefícios, principalmente os exercícios
aeróbicos de baixo impacto. As medicações utilizadas atuam no sistema
nervoso central e têm a função de modular a forma como o cérebro
processa os sinais de dor e de melhorar
a qualidade do sono”, pontua.
Também podem fazer parte do tratamento a
fisioterapia, a psicoterapia, a terapia cognitivo-comportamental e a
abordagem dos distúrbios do sono. Quando existe um transtorno de humor
mais relevante, pode ser necessária a participação de um
psiquiatra.
Portanto, trata-se de um acompanhamento
multidisciplinar. Existem diversas opções de medicamentos, mas o
paciente com fibromialgia é heterogêneo. Algumas pessoas apresentam
maior comprometimento do sono; outras, têm maior impacto relacionado ao
humor. O tratamento precisa ser adaptado às necessidades de cada
paciente.
