Foto: Jean Teixeira
Fala, Ìbejí apresenta às crianças tradições ligadas ao caruru de Cosme e Damião
Para toda a família, a Casa Rosa acolhe em todos os domingos de agosto, desde o dia 16, sempre às 11h, a peça infantojuvenil Fala, Ìbejí. Concebido como um espetáculo de rua e adaptado agora para o Teatro Cambará, a montagem costura elementos do candomblé, da cultura popular nordestina e das festas de Cosme e Damião. O espetáculo musicado é uma realização da COOXIA Coletivo Teatral, com produção da DAGENTE Produções. Os ingressos custam a partir de R$ 25 e estão à venda pela plataforma Sympla.
Com direção de Guilherme Hunder e dramaturgia de Luiz Antônio Sena Jr. (LUI), Fala, Ìbejí dá continuidade a uma pesquisa cênica afrocentrada de ambos dedicada às infâncias, à tradição oral e às pedagogias do terreiro. A encenação incorpora a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como parte da própria cena, integrada à performance do elenco, formado por Anderson Danttas, Ane Ventura, Fernanda Silva, Gabriel Nafisi e Larissa Libório.
A dramaturgia é livremente inspirada em itans da tradição iorubá, especialmente em narrativas que giram em torno dos ibeji, os orixás gêmeos. A história os desloca para o contexto de um terreiro situado em uma comunidade periférica. A trama se desenvolve na casa de Mãe Mainha, uma matriarca respeitada, enquanto todos se preparam para o caruru em homenagem aos gêmeos. No entanto, a chegada da Morte ameaça interromper a celebração e silenciar a festa. Assim, entre cantos, memórias e rituais, a comunidade se vê diante do desafio de proteger a vida, a alegria e a ancestralidade que o caruru celebra.
A relação com a Morte é um subterfúgio para falar, sobretudo, a respeito de tradição, memória e continuidade, ao abordar a tradição do caruru, que vem se perdendo entre as crianças, exaltar as tradições da afrodiáspora que constituem nossa cultura e discutir sobre a morte, ainda um tema tabu na infância.
O público também entra na brincadeira
Fala, Ìbejí adota uma estrutura que privilegia o diálogo direto com o público e um espaço cênico não frontal. A encenação valoriza a circularidade característica das matrizes afro-diaspóricas, aproximando intérpretes e espectadores. A plateia é parte ativa da experiência. Ao longo da apresentação, o público é convidado a participar: canta, responde a enigmas, bate palmas e se envolve na brincadeira ritual que ajuda a colocar a Morte para dançar.
As composições inéditas, criadas a partir das letras de LUI, são assinadas por Ray Gouveia, que ao lado de Felipe Pires também assina a direção musical. A trilha tem como concepção poética os ritmos afro-brasileiros. O samba ancestral de terreiro, o pagode baiano e os atabaques dialogam com a pulsação urbana dos beats eletrônicos. A música não somente ambienta: é a onda sonora que conduz a narrativa, provoca a ação que leva a dança e sustenta o enfrentamento simbólico da morte pela alegria coletiva.
Toda a visualidade do espetáculo tem como referência simbólica as feiras populares, berços de cultura viva. A cenografia concebida por Erick Saboya soma-se aos acessórios de cena concebidos por Elis Brito e aos figurinos concebidos pelo diretor, Guilherme Hunder. Caixotes plásticos de feira, panelas e bacias de ferro, sacolas de palhas e utensílios domésticos, são alguns dos elementos. Os figurinos dialogam com sacos de feira, quiabos e tecidos coloridos, com tons do dendê unidos às cores vibrantes da cidade de Salvador.
Sobre o a_gosto da Casa
Em agosto de 2026, a Casa Rosa completa seis anos com música, cinema, teatro infantil e gastronomia. Desde os primeiros dias do a_gosto da Casa, os ambientes do casarão recebem uma agenda especial que traduz a essência da Casa ao valorizar a diversidade de linguagens artísticas e de públicos em torno de experiências compartilhadas.
As diferentes expressões artísticas compõem uma curadoria que reafirma o compromisso da Casa com o acolhimento, a ampliação de oportunidades para produções plurais e a criação de espaços de convivência. Por todo o mês, em quase todos os dias, o casarão rosa e branco abre as portas com mostra de cinema, temporada de teatro infantil e shows musicais que movimentam a cena cultural da cidade.
Com uma equipe majoritariamente feminina, a Casa Rosa conquistou frequentadores assíduos e continua atraindo novos olhares como um dos principais polos culturais de Salvador. Situada à beira-mar e no coração do Rio Vermelho, a construção do início do século XX é patrimônio protegido pelo IPAC e mantido pela Associação Viração.
FALA, ÌBEJÍ no a_gosto da Casa
Quando: domingos de 16, 23 e 30 de agosto de 2026, sempre às 11h
Onde: Teatro Cambará da Casa Rosa
Quanto: R$ 50 (inteira) | R$ 25 (meia-entrada). Vendas pela Sympla
Acessibilidade: Tradução em libras e arquitetura acessível
Classificação indicativa: Livre
Por Maria Marques
