Foto: Divulgação
ARTIGO - A proteção de dados começa na gestão do negócio = Por Rodrigo Costa
O avanço acelerado da inteligência artificial dentro das organizações transformou profundamente os requisitos de segurança corporativa, fazendo com que a proteção de dados passasse a integrar diretamente as decisões do negócio. Com ferramentas capazes de cruzar relatórios, revisar contratos e processar grandes volumes de informações em tempo real, a redução de riscos passou a depender de uma governança capaz de acompanhar essa nova realidade. Nesse contexto, o desafio está em conhecer o valor dos dados, definir regras claras para sua utilização e estabelecer critérios compatíveis com os riscos envolvidos em cada operação.
Embora a proteção de dados já faça parte das decisões de negócio, muitas organizações ainda concentram essa responsabilidade em um único departamento. Com a inteligência artificial incorporada à rotina de diferentes setores, esse modelo se mostra limitado, pois o contexto, a criticidade e os impactos de uma eventual exposição também dependem de quem produz e utiliza essas informações na operação. Por isso, a governança deve definir com clareza o papel de cada exige uma divisão mais clara de responsabilidades entre a gestão técnica e as lideranças de negócio.
A tecnologia permanece responsável pela proteção da infraestrutura, implementação dos mecanismos de segurança e pelo controle de acessos. Cabe as lideranças definir o valor das informações, o nível de confidencialidade e os limites para sua utilização. A atuação conjunta permite estabelecer políticas de governança compatíveis com o ritmo da inovação, sem comprometer a segurança dos dados.
Segundo a McKinsey, 88% das organizações já utilizam inteligência artificial em pelo menos uma área, enquanto 62% afirmam estar experimentando agentes de IA. Apesar desse avanço, apenas 39% relatam ganhos perceptíveis nos resultados financeiros da empresa. A diferença entre adoção e resultado mostra que o avanço da tecnologia nem sempre vem acompanhado de governança suficiente para transformar investimento em valor real.
Governança que funciona na prática
Na rotina das empresas, soluções avançadas de segurança perdem força quando a organização ainda não tem clareza sobre o valor dos dados que produz, o nível de proteção exigido e os limites para sua utilização. A arquitetura, aprovação de sistemas e monitoramento preventivo continuam sob responsabilidade da área técnica, mas a identificação do que representa maior risco também depende de quem utiliza essas informações na operação.
Sem essa definição, políticas de governança ficam distantes da rotina corporativa. Relatórios financeiros, planilhas estratégicas, contratos ou bases internas podem ser inseridos em plataformas externas para acelerar processos, gerando exposição indevida mesmo sem intenção de causar prejuízo. Nesses casos, o problema não está apenas na ferramenta utilizada, mas na ausência de orientação objetiva sobre o que pode ser compartilhado e em quais condições.
A definição desses controles precisa fazer parte do projeto desde o início. Isso inclui estabelecer permissões de acesso, registrar a utilização das bases corporativas, proteger conteúdos sensíveis e garantir que cada área visualize apenas as informações compatíveis com suas atribuições. A inclusão dessas medidas desde o planejamento reduz vulnerabilidades, facilita auditorias e evita ajustes depois que os dados já começaram a circular.
Inovação exige limites claros
A inteligência artificial gera resultados consistentes quando produtividade e segurança evoluem na mesma direção. Com a ampliação da capacidade de consultar documentos, cruzar bases e apoiar decisões, cresce o cuidado com permissões de acesso, regras de compartilhamento e critérios para utilização dos dados. O equilíbrio depende de ambientes autorizados, critérios claros de acesso e orientações para o uso responsável da IA.
A organização técnica dos dados começa pelo conhecimento das informações que a empresa possui. É preciso identificar os conteúdos que sustentam processos críticos, assegurar sua qualidade, controlar acessos e acompanhar sua utilização. Com essa base organizada, a inteligência artificial passa a operar sobre informações mais confiáveis, reduzindo riscos e ampliando sua capacidade de gerar resultados.
A proteção dos dados também depende da forma como a organização incorpora a inteligência artificial à rotina de trabalho. O equilíbrio entre produtividade e segurança está na criação de ambientes autorizados, políticas de governança, critérios de acesso e orientações objetivas para o uso responsável da IA. Com esse conjunto de práticas, a empresa consegue aproveitar os ganhos da tecnologia sem ampliar os riscos para o negócio.
Rodrigo Costa, CTO & Head de Digital Business da Kron Digital
