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ARTIGO - Sem bom atendimento, até ótimos benefícios perdem valor = Por Paulo Curro
O consumidor não avalia separadamente a propaganda, a compra, o benefício recebido e o contato com o suporte para decidir se continuará escolhendo uma marca. Para ele, tudo faz parte da mesma relação — e, de fato, faz. A 11ª edição do CX Trends, estudo da Opinion Box em parceria com a Octadesk, mostra que 85% dos consumidores associam respostas rápidas à fidelidade e à confiança na marca. Quando o cliente entra em contato, portanto, a agilidade não é percebida apenas como eficiência operacional, mas também como um sinal de que seu tempo e aquela relação são valorizados.
Essa importância aparece ainda no
Panorama da Fidelização no Brasil 2025, realizado pelo TSI em parceria
com a ABEMF. Quando perguntamos aos consumidores quais fatores poderiam
levá-los a abandonar uma marca favorita e experimentar outra, 29,3%
citaram não se sentir bem atendidos em algum momento da jornada. O
atendimento foi a quarta resposta mais mencionada, atrás apenas da queda
na qualidade dos produtos, do aumento de preços e de a marca não
cumprir o que anuncia em seu
discurso.
Isso não significa que toda interação com
o cliente precise ser extraordinária. Na maior parte das vezes, ele
espera algo simples: encontrar a informação de que precisa, receber uma
orientação clara ou concluir sua solicitação sem esforço
desnecessário. O que fortalece a relação não é surpreender em todos os
contatos, mas oferecer uma experiência coerente e confiável ao longo do
tempo.
Talvez seja justamente essa a principal
função do bom atendimento na construção da lealdade: confirmar, na
prática, aquilo que a marca prometeu. Uma empresa pode comunicar
proximidade, conveniência e reconhecimento, mas é nas interações com o
consumidor que esses valores deixam de ser apenas discurso e passam a
ser experiência.
O atendimento também oferece outro valor.
Além de responder às demandas, ajuda a empresa a compreender melhor a
jornada que proporciona. Dúvidas recorrentes, pedidos de ajuda e
dificuldades de uso, quando observados em conjunto, revelam os pontos
que
exigem mais clareza, os processos que podem ser simplificados e as
expectativas que ainda não estão sendo plenamente atendidas. Assim, cada
interação também pode gerar inteligência para aprimorar produtos,
serviços e experiências.
Essa perspectiva muda o papel da área. Em
vez de atuar apenas depois que uma necessidade surge, o atendimento
passa a alimentar decisões capazes de tornar as próximas experiências
mais simples — e até de evitar novas demandas. Em um programa de
fidelidade, por exemplo, perguntas frequentes sobre regras, benefícios
ou formas de resgate podem indicar que não basta oferecer respostas
melhores: talvez seja necessário rever a comunicação ou o próprio
desenho daquela etapa.
Também existe um equilíbrio importante
entre autonomia e presença humana. Muitas pessoas valorizam a
possibilidade de encontrar rapidamente uma informação ou resolver uma
solicitação por conta própria. Ao mesmo tempo, querem ter um caminho
claro
para falar com alguém quando a situação exige interpretação, segurança
ou uma solução menos padronizada. A qualidade está em permitir que essa
transição aconteça de forma simples, sem obrigar o consumidor a
recomeçar todo o
processo.
Atender bem, portanto, vai além de
concluir uma demanda. É facilitar a vida do consumidor, aprender com
cada interação e demonstrar, de maneira consistente, que a promessa
feita pela marca se mantém depois da compra. É essa coerência,
construída
ao longo do tempo, que ajuda a transformar uma escolha pontual em
preferência, e uma preferência em lealdade.
*Paulo Curro é diretor executivo da ABEMF – Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização.
