Para a chamada pública do CNPq, as pesquisas deverão contribuir para reduzir lacunas de conhecimento sobre a endometriose, doença crônica ainda subdiagnosticada, que afeta cerca de uma em cada dez meninas e mulheres e pode levar anos para ser identificada. Foto: Rodrigo Cabral (ASCOM/MCTI)
Governo do Brasil mobiliza R$ 60 milhões para pesquisas sobre saúde menstrual, dor pélvica e endometriose
O Governo do Brasil vai destinar R$ 50
milhões para pesquisas e desenvolvimento de tecnologias voltadas à saúde
menstrual, à dor pélvica e à endometriose. A iniciativa contará ainda
com R$ 10 milhões em recursos do Instituto Alana, totalizando R$
60 milhões em investimentos, para fortalecer a produção científica e
ampliar o desenvolvimento de soluções aplicáveis ao Sistema Único de
Saúde (SUS).
Os recursos federais serão destinados pelo
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os
projetos serão selecionados por chamada pública lançada pelo
Conselho.
Como ação complementar, o Instituto Alana
apoiará a criação de uma rede nacional estruturante de pesquisa em
endometriose, dor pélvica e saúde menstrual. A iniciativa será formada a
partir dos projetos selecionados e contará com infraestrutura
compartilhada de comunicação científica, implementação de ciência
cidadã, apoio ao pesquisador, educação e formação.
O anúncio do investimento ocorreu nesta
terça-feira, 9 de junho, na sede do MCTI em Brasília (DF). “Maior
investimento já feito pelo MCTI em pesquisas sobre a saúde da mulher.
Estamos diante de um problema de saúde pública que exige resposta do
Estado. Esse investimento demonstra o compromisso do Governo do Brasil
com a ciência como instrumento de cuidado, inclusão e promoção da
qualidade de vida das mulheres brasileiras", disse a ministra do MCTI,
Luciana Santos.
PROPOSTAS
Para a chamada
pública do CNPq, as propostas deverão se encaixar em um dos cinco eixos
temáticos: causa e prevenção; diagnóstico; tratamento; biorrepositório
(reservatório de materiais biológicos, utilizado em
pesquisas específicas); e impacto social.
As pesquisas deverão contribuir para reduzir
lacunas de conhecimento sobre a endometriose, doença crônica ainda
subdiagnosticada, que afeta cerca de uma em cada dez meninas e mulheres e
pode levar anos para ser identificada.
De acordo com Ministério da Saúde, a endometriose e as dores pélvicas afetam milhões de brasileiras, impactam a qualidade de vida, a permanência na escola, a produtividade no trabalho e a saúde mental.
“O Ministério da Saúde está muito satisfeito
com essa parceria porque vamos tratar de um tema pouco debatido,
inclusive no Sistema Único de Saúde. Nós temos o compromisso de
construir uma política pública robusta para as mulheres”, disse o
ministro Alexandre Padilha (Saúde).
COOPERAÇÃO
A primeira
cooperação entre o MCTI e o Alana ocorreu em 2024, com a criação da Rede
Buriti para pesquisa, desenvolvimento e inovação em Síndrome de Down.
Agora, eles se unem novamente para atuar nos temas de
saúde menstrual e endometriose.
“O Alana complementa o investimento federal
para estruturar uma rede de pesquisa que envolva e estimule a
participação da sociedade civil e de meninas e mulheres afetadas
diretamente pelo tema. A proposta é fortalecer a produção de evidências e
criar condições para que o conhecimento científico se traduza em
prevenção, diminuição de tempo de diagnóstico e cuidado desde a
menarca”, disse a CEO do Alana, Flavia Doria.
DESAFIO
Os dados ajudam a
dimensionar o desafio que a iniciativa busca enfrentar. Estima-se que 8
milhões de brasileiras em idade reprodutiva convivam com endometriose —
entre elas, há 2 milhões de adolescentes. Apesar da alta
prevalência, a condição permanece subdiagnosticada e subtratada, com
atraso médio de 7 anos para o diagnóstico.
A primeira-dama do
Brasil, Janja Lula da Silva, chamou a atenção para o fato de que, por
muito tempo, questões relacionadas à
saúde da mulher foram tratadas com invisibilidade ou minimizadas.
“Muitas mulheres convivem com dores intensas sem receber diagnóstico ou
acolhimento adequados, e a endometriose é um exemplo dessa realidade.
Por isso, essa iniciativa do MCTI é tão
importante, ela direciona atenção e investimentos para pesquisas sobre
uma condição que afeta milhões de brasileiras”, afirmou Janja.
IMPACTOS
A naturalização
da dor menstrual desde a primeira menstruação contribui para esse
cenário. Dados inéditos divulgados pelo Alana e pelo Instituto
Equidade.info mostram que seis em cada dez estudantes dos ensinos
fundamental e médio que menstruam relatam ter cólicas fortes ou
moderadas, que atrapalham a rotina e exigem uso de medicação. Mais do
que um desconforto, a dor menstrual tem impacto direto na vida escolar:
quatro em cada dez alunas faltam às aulas
mensalmente por esse motivo.
Os efeitos se estendem à vida adulta. Além dos prejuízos à saúde física e mental, as cólicas fortes — principal sintoma da endometriose — podem levar mulheres a perder até 10,8 horas de trabalho por semana. Ainda assim, dores menstruais e pélvicas permanecem pouco visíveis nos registros oficiais de saúde. Análise de dados de 469 mil meninas e mulheres de Recife (PE) mostrou que apenas 0,5% delas tinham registro formal de dor menstrual ou pélvica. Ao interpretar os textos escritos por profissionais de saúde nos prontuários, porém, foram identificados mais de 41 mil casos relacionados a essas dores, o equivalente a 9% da base analisada. A pesquisa foi feita pela Vital Strategies Brasil, em parceria com o Laboratório FrameNet Brasil da Universidade Federal de Juiz de Fora, com financiamento do Alana.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
