Foto: Júlia Lacerda
Léo Rocha estreia em carreira solo com o álbum “Um Tanto de Tudo Que Vejo”
A canção como lente, abrigo e travessia. É com esse olhar que o músico baiano Léo Rocha apresenta ao público seu primeiro álbum solo, “Um Tanto de Tudo Que Vejo”, disponível em todas as plataformas digitais a partir de 8 de maio de 2026.
Após anos construindo sua trajetória nos bastidores da música como baixista, produtor e arranjador, o artista dá um passo íntimo e decisivo: assumir a própria voz e o seu lugar de cantautor. O resultado é um disco que se propõe como obra completa, com início, meio e fim, em que cada faixa se conecta como capítulo de uma narrativa sensível.
“Esse álbum é um compilado do que vi e transformei em canção nos últimos anos. Fala essencialmente de amor, mas também do que é ser músico hoje”, define Léo Rocha.
O disco reúne dez faixas autorais com referências latentes a cantautores brasileiros que vão de Chico Buarque e Edu Lobo a Joyce e Fátima Guedes, e conta com participações de nomes da cena soteropolitana, como Luíza Britto, Angela Velloso e Cyntia Rocha. “É um trabalho que transita entre o íntimo e o coletivo", destaca o artista.
“Um Tanto de Tudo Que Vejo” nasce da delicadeza de quem observa e da urgência de quem precisa transformar o que sente em música. Nele, Léo propõe com linguagem poética e arranjos cuidadosos, um olhar sensível e particular sobre o mundo ao redor.
Sobre a obra
O disco abre com “Alguma Poesia”, texto autoral recitado por Bia Araújo, que estabelece o tom da obra ao sugerir a arte como ferramenta essencial para atravessar a vida.
A partir desse ponto, o álbum se desenvolve em dois eixos principais. O primeiro é o amor, explorado em suas múltiplas formas: a paixão, o desencontro, a memória e o que permanece mesmo depois do fim. O segundo eixo é a própria identidade do artista como trabalhador da música, suas inquietações, processos e contradições.
As canções transitam entre o íntimo e o universal. Há histórias que partem de experiências pessoais e ganham dimensão coletiva, como na faixa-título “Um Tanto de Tudo Que Vejo” e em “No Mesmo Lugar”. Em contraponto, músicas como “Efêmero” e “Notas pro Nada” revelam o bastidor da criação, expondo as tensões entre inspiração e disciplina, desejo e cobrança.
O amor, em suas diferentes fases, atravessa o disco em faixas como “Antes Que o Ano Acabe”, que nasce da urgência do fim, e “Quase Saudade”, onde a emoção se sustenta mais na sensação do que na narrativa. Já “Em Paz”, composta durante um período em Lisboa, desloca o olhar para a própria relação com a música.
Entre referências e delicadezas, “Bonita II” dialoga com a tradição da bossa nova, enquanto “Fim” encerra o álbum de forma minimalista, retomando a intimidade que atravessa toda a obra.
Musicalmente, o álbum se insere na tradição da MPB dos cantautores, dialogando com nomes clássicos e contemporâneos, mas sem perder sua identidade própria. Os arranjos são cuidadosos, criando espaços onde a palavra respira e o silêncio também diz.
Participações especiais ampliam a dimensão afetiva do projeto: Luíza Britto, Angela Velloso e Cyntia Rocha (mãe do artista) aparecem em momentos-chave, reforçando a ideia de que, mesmo em um trabalho autoral, a música é sempre um grande encontro.
Sobre o artista
Natural de Salvador, Léo Rocha é músico, produtor e compositor com formação em Música Popular pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e mestrado em Artes Musicais pela Universidade NOVA de Lisboa.
Sua trajetória foi construída entre o palco e os bastidores, acompanhando e produzindo artistas da cena baiana e nacional, além de experiências vividas entre Brasil e Europa. Essa vivência múltipla atravessa sua obra, que combina tradição e contemporaneidade com naturalidade.
A estreia como artista solo teve início ainda em 2018, com o recital “Uma Canção, Por Favor!”, onde apresentou suas composições pela primeira vez. Desde então, o projeto foi amadurecido ao longo dos anos, entre lançamentos de singles, turnês e processos criativos, até se consolidar neste primeiro álbum.
Com “Um Tanto de Tudo Que Vejo”, Léo Rocha não apenas se apresenta, ele se revela. Um artista que transforma experiência em linguagem e que encontra, na canção, uma forma de entender e reinventar o mundo.
Por Tatiane Freitas
