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Canal Brasil estreia documentário “Eu Não Ando Só”, da cineasta baiana Glenda Nicácio
O Canal Brasil exibe, na segunda-feira, 27 de abril, a partir das 20h, a faixa Negritudes, com 12 horas seguidas de programação dedicada a obras que destacam diferentes perspectivas e vivências negras. A seleção traz a estreia do documentário “Eu Não Ando Só”, de Glenda Nicácio, e reúne ainda longas-metragens, uma série e um show musical, compondo um panorama diverso de histórias, estéticas e trajetórias.
“Eu Não Ando Só”, documentário dirigido por Glenda Nicácio, mergulha na Festa de Nossa Senhora da Boa Morte, no Recôncavo Baiano, para evidenciar a força da vida em comunidade como prática de resistência, fé e cuidado coletivo. O filme acompanha a Irmandade da Boa Morte — formada por mulheres negras — e destaca sua relevância histórica e espiritual, revelando ao público um patrimônio vivo da cultura afro-brasileira marcado por memória, ancestralidade e vínculos afetivos.
Na sequência, “Café com Canela”, de Glenda Nicácio e Ary Rosa, apresenta a história de mulheres atravessadas pelo luto e pela reconstrução de laços, em um drama sensível sobre afeto, memória e recomeço. No drama “Ilha”, também de Glenda Nicácio e Ary Rosa, um jovem busca realizar seu primeiro filme, em uma narrativa metalinguística que mistura humor e crítica social ao explorar questões de representação e marginalidade.
A faixa também apresenta uma maratona da série “Navio do Sertão”, de Patrícia Pinheiro, com quatro episódios que percorrem histórias e personagens ligados ao sertão brasileiro, com uma abordagem que conecta território, cultura e identidade.
Já o suspense “Maputo Nakuzandza”, de Ariadine Zampaulo, leva o público a Moçambique para acompanhar encontros e afetos que atravessam fronteiras geográficas e culturais, em uma narrativa que articula memória e ancestralidade.
Em seguida, “Amor Maldito”, de Adélia Sampaio, traz um marco do cinema brasileiro ao retratar uma história de amor entre duas mulheres, abordando preconceito e justiça em um contexto ainda pouco explorado à época.
“Terror Mandelão”, de Felipe Larozza e GG Albuquerque, mistura elementos do horror com a cultura periférica, criando uma experiência estética singular que dialoga com música e cotidiano urbano.
Encerrando a faixa, o “Show: Milton Nascimento - Uma Travessia”, de Régis Faria e Darcy Bürge, revisita a trajetória do artista em uma apresentação que celebra sua obra e sua contribuição para a música brasileira.
Negritudes no Canal Brasil
Horário: Segunda, 27/04, a partir das 20h
Eu Não Ando Só (2021) (95’) – Estreia
Horário: Segunda, dia 27/04, às 20h
Classificação: Livre
Direção: Glenda Nicácio
Sinopse: O filme explora a Festa da Nossa Senhora da Boa Morte no Recôncavo Baiano e a potência da vida comunitária como expressão de resistência, fé e cuidado coletivo. A obra traz à tela a Irmandade da Boa Morte — formada por mulheres negras — e sua tradição reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial, tornando visível uma dimensão espiritual, histórica e afetiva de um patrimônio vivo na cultura afro-brasileira.
Café com Canela (2018) (100’)
Horário: Segunda, dia 27/04, às 20h55
Classificação: 14 anos
Direção: Ary Rosa e Glenda Nicácio
Sinopse: Após perder o filho, Margarida (Valdinéia Soriano) vive isolada da sociedade. Ela se separa do marido Paulo e perde o contato com os amigos e pessoas próximas. Um dia, Violeta (Aline Brunne) bate à sua porta. Trata-se de uma ex-aluna de Margarida, que assume a missão de devolver um pouco de luz àquela pessoa que havia sido importante para ela na juventude.
Ilha (2018) (94’)
Horário: Segunda, dia 27/04, às 22h40
Classificação: 16 anos
Direção: Glenda Nicácio e Ary Rosa
Sinopse: Emerson quer fazer um filme sobre sua história na Ilha, apenas as partes mais importantes de sua vida naquele lugar, onde quem nasce nunca consegue sair. O plano começa, não há mais limites, afinal, cinema também é jogo.
Navio do Sertão (2025) (4 x 29’)
Horário: Terça, dia 28/04, à 0h15 (madrugada de segunda para terça)
Classificação: 10 anos
Direção: Patrícia Pinheiro
Sinopse: A série documental é uma produção da Paraíba sobre a diáspora negra, focando na história de comunidades quilombolas forçadas a sair de suas terras por uma promessa de realocação não cumprida.
Maputo Nakuzandza (2022) (62’)
Horário: Terça, dia 28/04, às 2h20 (madrugada de segunda para terça)
Direção: Ariadine Zampaulo
Classificação: 10 anos
Sinopse: O longa apresenta a manhã na capital de Moçambique. Os jovens saem das casas noturnas e, nos quintais, as mulheres começam o dia. Somos inseridos em cinco histórias que se desenvolvem paralelamente: um homem correndo pela cidade, uma mulher chegando de viagem, um turista passeando, um homem no transporte público e a rádio Maputo Nakuzandza anuncia o desaparecimento de uma noiva.
Amor Maldito (1984) (76’)
Horário: Terça, dia 28/04, às 3h35 (madrugada de segunda para terça)
Classificação: 16 anos
Direção: Adélia Sampaio
Sinopse: Duas jovens de diferentes origens sociais têm um relacionamento lésbico. Os verdadeiros problemas começam quando uma delas também se envolve com um homem, um jornalista.
Terror Mandelão (2023) (75’)
Horário: Terça, dia 28/04, às 4h55
Classificação: 16 anos
Direção: Felipe Larozza e GG Albuquerque
Sinopse: Aborda som, tecnologia e mercado de trabalho no universo do baile funk nas favelas de São Paulo. O filme acompanha a trajetória do DJ K, um dos principais DJs do Baile do Helipa, a festa de rua da favela de Heliópolis, e de seu amigo Zero K, que emplacou seu primeiro sucesso após 10 anos como MC. Combinando documentário, elementos ficcionais e experimentação visual, o filme retrata os altos e baixos enfrentados por jovens artistas nas periferias.
Show: Milton Nascimento - Uma Travessia (2014)
Horário: Terça, dia 28/04, às 6h15
Classificação: Livre
Direção: Régis Faria e Darcy Bürge
Sinopse: Milton Nascimento revisita momentos marcantes da sua trajetória. O cantor interpreta clássicos como “Clube da Esquina 2”, “O Trem Azul” e “Canção da América”.
Por Julia Bruce
