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Até quando mulheres serão mortas por serem mulheres?
Uma mulher foi morta após ser atropelada pelo seu ex-ficante e arrastada por mais de um quilômetro na marginal Tietê. Outra, foi espancada pelo então namorado: 61 socos. Ele desfigurou seu rosto no elevador do prédio em que moravam. A estatística é assustadora: cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de agressão de gênero em 2025, de acordo com o DataSenado. Números tão exorbitantes, fazem com que as identidades dessas vítimas passem a figurar, por vezes, apenas as estatísticas.
Os casos de Tainara Souza Santos e Juliana Garcia, respectivamente, narrados no primeiro parágrafo, tiveram ampla cobertura pela imprensa e chamaram a atenção pública no final de 2025 devido à brutalidade dos crimes.
O segundo volume do podcast documental Tem que meter a colher! 2 Até quando mulheres serão mortas por serem mulheres? tem a proposta de olhar para essas vítimas a partir de suas identidades e individualidades, além de contribuir para o debate explorando as perspectivas de importantes profissionais que foram entrevistadas.
Podcast documental
Este podcast documental lança luz sobre uma tragédia cotidiana que insiste em se repetir no Brasil: a violência extrema contra mulheres. É o volume 2 (sequência) do documentário “Tem que meter a colher! - O combate à violência contra mulheres”, lançado pela Ubook em 2023. São muitos os casos recentes que chocaram o País pela brutalidade, causando marcas profundas na sociedade. Além de abordar estatísticas, provoca-se uma reflexão urgente sobre feminicídio. A pergunta que ecoa é “Por que tantas mulheres continuam sendo vítimas de uma violência que não deveria existir?”.
O primeiro episódio traz, com exclusividade, a participação de Juliana Garcia, sobrevivente do ataque narrado no primeiro parágrafo e que hoje, além de ser estudante de educação física, atua como palestrante e ativista de causas feministas.
Foram entrevistadas também neste episódio, Sandra Aparecida Pereira, fundadora do Movimento Mulheres da Várzea, de São Paulo e a advogada Maria Júlia Leonel, mestre e doutora em Direito nas áreas de gênero e criminologia, além de professora e debatedora na Rádio CBN Recife, que ajuda a pensar o tema com o viés jurídico e que afirma: “Mais de 90% das mulheres que foram vítimas de feminicídio nos anos de 2024 e 2025 não tinham medida protetiva. Ou seja, em que pesem todas as críticas às medidas protetivas, elas seguem sendo, a gente analisando, fazendo essa comparação de dados, uma medida importante".
O segundo episódio, conta com participações para lá de significativas: a jornalista Ana Paula Araújo, que recorrentemente aborda a violência contra a mulher em seus livros — Abuso: A cultura do estupro no Brasil” e “Agressão: A escalada da violência doméstica no Brasil — e que defende que, na cobertura jornalística, quem tem que ser exposto é o agressor; a desembargadora Jaceguara Dantas da Silva, conselheira no Conselho Nacional de Justiça e membro do Comitê de Gestão do Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio entre os Três Poderes e a educadora Leila Oliveira, que propõe um novo olhar para a educação de meninos e meninas nas escolas.
Dados (infelizmente) atuais
Logo no início do segundo episódio deste podcast documental, o ouvinte tem acesso a dados oficiais que retratam a real condição da mulher em nosso País ao mesmo tempo em que contextualiza o debate:
"O Brasil registrou no ano de 2025 1.518 feminicídios, o maior índice já documentado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Quatro mulheres assassinadas por dia ou uma mulher morta a cada seis horas no País. O recorde superou o de 2024, ano que registrou 1.458 feminicídios. Esses dados são da Agência Brasil. A contagem avança, a vida recua. Numa operação matemática, a triste informação revelada é que o Brasil registra, em média, mais de mil e trezentos assassinatos de mulheres por ano. Um grave problema social, enraizado nas desigualdades de gênero"
Até quando mulheres serão mortas por serem mulheres?
O que une as vítimas é o fato de serem mulheres em um Brasil que frequentemente consta entre os cinco países que mais cometem feminicídio no mundo. Como disse a ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, “Mata-se a mulher por ser mulher”, e a pergunta que ainda ecoa é “Por que tantas continuam sendo vítimas de uma violência que não deveria existir?”.
O podcast documental tem roteiro, produção executiva e coordenação de produção de Viviane Pires e narração de Selma Boiron, locutora há 44 anos, formada no rádio e na UFF em Produção Cultural e Estudos de Mídia, além de amante de podcasts. Já a sonorização, finalização técnica e masterização, foram realizadas por Jorge Ramos (Brinquinho) e a gerência de produção por Darla Almeida.
Os dois episódios de Tem que meter a colher! 2 Até quando mulheres serão mortas por serem mulheres? foram disponibilizados neste mês de março na plataforma da Ubook, o maior aplicativo de audiotainment da América Latina, que pode ser acessado pelo computador ou pelo aplicativo de celular.
Na primeira edição do projeto, Tem que meter a colher! - O combate à violência contra mulheres, lançada em 8 de março de 2023 e também disponível na plataforma da Ubook, foi entrevistada Luiza Brunet, importante ativista da causa feminista. Ela conta com narração de Marta Ramalhete e participação da ex-delegada e deputada estadual no Rio de Janeiro Martha Rocha, a primeira mulher a comandar a Polícia Civil no estado.
FICHA TÉCNICA:
Título E1: Vítimas de uma tragédia diária
Título E2: A violência que não cessa
Narração: Selma Boiron.
Roteiro e produção executiva: Viviane Pires.
Sonorização, finalização técnica e masterização: Jorge Ramos (Brinquinho).
Coordenação de produção: Viviane Pires.
Gerência de produção: Darla Almeida.
Por Matheus Souza
