Psicólogo, Mestre em Psicologia e escritor Vladimir Nascimento / Foto: Arquivo O Candeeiro
ARTIGO - A INCANSÁVEL PROCURA PELA FELICIDADE = Por Vladimir Nascimento
Todo
ser humano é movido pela insatisfação; por isso, sempre estamos em busca de
algo para nos completar, preencher. Porém, ninguém nunca terá o privilégio de
alcançar uma satisfação total e plena. Ela é momentânea, fugaz, súbita, podendo
até ser duradoura, porém nunca permanente.
Mas isso não é ruim, ao contrário: seria um tédio se tivéssemos tudo quando ou quanto desejássemos. Não obstante, é apenas a sensação de incompletude que serve como lubrificante das engrenagens que movimentam nossa motivação.
Da
mesma forma acontece com a felicidade. Muitas pessoas vivem em uma busca
frenética pela felicidade, como se ela fosse um estado perfeito de euforia,
prazer e alegria. Assim como o amor é diferente da paixão, a felicidade não é
sinônimo de alegria. Muitos passam a vida toda esperando por uma felicidade
permanente, sem atentar que a vida está passando e não estão aproveitando os
momentos presentes que tem.
Uns acreditam que a felicidade está em viajar, conhecer outros países e regiões, mas quando estão lá, sonham em voltar para o aconchego do lar; outros pensam que a felicidade está em alcançar determinado nível profissional ou ganhar uma promoção, porém quando perdem o emprego reconhece que era feliz no cargo anterior e não reconhecia; uns acham que serão plenamente felizes quando encontrar o parceiro ideal, mas depois descobrem que ninguém é perfeito e que não deveria ter terminado com a pessoa que amava, nem ter se importado com as opiniões alheias; outros só reconhecem a felicidade de ser saudável quando estão doentes, em fase terminal. E há ainda os que associam felicidade ao acúmulo de bens e riquezas, mas só quando percebe que nenhuma fortuna poderá salvá-lo da morte, é que aprende que a felicidade deveria estar nas coisas mais simples da sua vida, ao lado das pessoas que ama.
Precisamos
urgentemente ensinar essas lições às crianças, desde a mais tenra idade:
felicidade não significa deixar de sentir dor, deixar de ter frustrações, ou
estar livre de problemas… Ao contrário: é um constante reconhecimento pelo privilégio
de estar vivo e – independente das limitações e circunstâncias – poder
enfrentar os desafios da vida, mas também poder saborear os prazeres por ela oferecidos.
Se a felicidade estivesse na riqueza, não existiriam milionários suicidas; se estivesse na euforia, os dependentes químicos não sofreriam; se estivesse na aparência física, não haveria tantos jovens com depressão… As pessoas buscam incansavelmente a felicidade como se existisse uma fórmula mágica para alcançar tal estágio. Porém, enquanto não entendermos que felicidade é o que temos à nossa disposição agora, chegaremos à velhice e, ironicamente, reconheceremos que deixamos de ser felizes buscando a felicidade.
Vladimir de Souza Nascimento
Psicólogo, mestre em Psicologia (UFBA), escritor e Palestrante.
CRP-03/4531
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