Coletivo de Mulheres artesãs do Licuri
Empreendedorismo feminino ganha força na caatinga baiana ao transformar recursos naturais do bioma em produtos inovadores
No semiárido baiano, onde a convivência com a seca exige criatividade e resiliência, mulheres transformam recursos da Caatinga em negócios sustentáveis e prósperos. Espécies como licuri e mandacaru abastecem a produção de alimentos e peças artesanais, agregando valor a insumos antes pouco explorados. Desenvolvidas em comunidades rurais próximas a Canudos e Jeremoabo, as iniciativas consolidam o empreendedorismo feminino como vetor de geração de renda e valorização do bioma e dos saberes locais.
Atenta ao potencial dessa cadeia produtiva, a Voltalia apoia os projetos por meio do Programa Transformando com Energia. Em 2025, o programa beneficiou cerca de 60 mulheres de quatro grupos produtivos com capacitações e suporte técnico voltados à geração de renda e ao fortalecimento do associativismo.
Biodivesidade da Caatinga no coração da gastronomia baiana
Na cozinha do Nativas Nordestinas, a experimentação fez com que plantas e frutas típicas da caatinga como o Licuri, Mandacaru, Palma e Cabeça-de-Frade virassem os ingredientes protagonistas de deliciosos doces e salgados. Composto por 15 mulheres, em Várzea Grande, o projeto traz no cardápio receitas pouco convencionais na gastronomia local.
“Enfrentamos preconceito inicialmente porque ninguém estava acostumado a comer esses itens. Hoje, nossos produtos feitos em cozinha comunitária própria são um sucesso na região, vendemos bastante nos eventos que participamos”, comemora Ana Maria Gonçalves, uma das fundadoras da cozinha. Os produtos que fazem mais sucesso são a umbuzada, queijadinha de licuri, biscoito de licuri, brigadeiro de licuri, biscoito de palma e bolo de mandacaru.
O grupo expõe em feiras locais, fornece coffee-breaks para empresas como a Voltalia, atende festas e firmou parceria com a prefeitura de Paulo Afonso para a merenda escolar. Um acordo semelhante está em estruturação com Jeremoabo. Recentemente, chegaram a vender 3 kgs de bolo em três finais de semana consecutivos.
Além de ampliar o repertório gastronômico dos clientes, o projeto cumpre um papel relevante na preservação e valorização da caatinga. “Já convencemos produtores rurais de não desmatar áreas que tenham essas plantas depois de explicarmos o seu valor gastronômico e cultural. Muitas pessoas ficam surpresas ao perceber o potencial destes ingredientes. Para nós, usá-los na cozinha dá um forte sentimento de orgulho da nossa terra”, relata a fundadora.
Artesanato com licuri gera renda e autonomia em Brejo Grande
No povoado de Brejo Grande, o grupo Mulheres Artesãs do Licuri transformou o fruto típico da região em fonte de renda e autonomia. Naiara Pereira Barreto se interessou pela iniciativa logo ao conhecer o projeto. “Sempre fui uma pessoa muito curiosa. Já fazia crochê. E quando vi o trabalho com artesanato que usa insumo da natureza de forma integral, fiquei encantada”.
A produção começa com a colheita da palha, etapa que exige esforço braçal e pode durar até uma semana. Parte do insumo vem de área cultivada com apoio da Voltalia e parte é coletada em propriedades vizinhas. Depois de cozida e tingida com insumos naturais como aroeira, algodão, pele de castanha e são-joãozinho, a palha é transformada em cestas, sousplats, fruteiras, descansos de panela e porta-joias.
“Quando você está fazendo uma peça de artesanato, você esquece do resto do mundo. A atenção está totalmente voltada para aquilo, porque se você se distrai, perde o ponto. É quase como uma terapia”, relata Naiara.
Em uma região de renda instável, o artesanato representa complemento financeiro e perspectiva de futuro. “A renda na região é muito escassa. Então a oportunidade de aumentar a renda é muito positiva”, conta Naiara. Segundo ela, o dinheiro já viabilizou a compra de medicamentos, exames médicos e o avanço na construção da nova casa onde pretende viver com a família.
Novos negócios fortalecem renda e autoestima no sertão
Em Lages, o grupo Mulheres Cozinheiras do Raso da Catarina transformou a dificuldade de escoar banana madura em oportunidade de negócio. Vinculada à associação local de pequenos produtores, a iniciativa reúne 15 mulheres e produz geleias, doces, cocadas, banana passa, chips, balas e bolos, agregando valor ao que antes era desperdiçado.
A produção ainda é caseira e colaborativa. “Nós nos reunimos para produzir na cozinha aqui de casa e cada uma traz o que pode. Uma leva o liquidificador, outra leva a balança, outra leva o forno. A gente vai se ajudando como dá”, explica Maria Eulina Pajão Romão, líder do coletivo. O grupo venceu o último Edital Mulheres do Nosso Bairro, na área de atuação da Voltalia, e receberá aporte de R$10.000 em 2026 para adquirir equipamentos e insumos para a cozinha.
O grupo Mulheres em Ação, de Baixa da Pedra, atua desde 2012 com corte e costura, crochê e artesanato. Com 15 associadas, ampliou a produção após a construção da sede e a aquisição de máquinas por meio de editais da Voltalia. Recentemente, recebeu encomenda de 100 uniformes para a Cooperacaju, em Ribeiro do Pombal.
Além do impacto financeiro, a presidente Josefa Albertania Dantas destaca a dimensão emocional da iniciativa. “A sede tornou-se espaço de convivência, trocas e fortalecimento da autoestima das participantes. O grupo fortalece o senso de comunidade”, afirma.
Sobre a Voltalia
A Voltalia é um player internacional no setor de energias renováveis. A empresa produz e vende eletricidade gerada a partir das fontes eólica, solar, hídrica e de biomassa. Também presta serviços em projetos de energia renovável para terceiros, desde a
concepção e desenvolvimento do projeto até a operação e manutenção de suas plantas e venda de energia.
A companhia está presente em 20 países e conta com mais de 2.000 colaboradores. No Brasil, está presente há mais de 15 anos. Possui mais de 1,6 GW em operação e construção e um pipeline de aproximadamente 6 GW de projetos em diferentes fases de desenvolvimento em diversos estados. Além disso, atingiu 6.4 GW na prestação de serviços de O&M no país.
Por Cecília Manzoni
