Dermatologista Alice Magalhães / Foto: Acervo pessoal
Janeiro Roxo: Brasil concentra alta incidência de hanseníase e especialista reforça importância do diagnóstico precoce
Apesar de tratável e com cura, a hanseníase ainda é cercada por desinformação e preconceito no Brasil, país que ocupa a segunda posição mundial em novos casos da doença, atrás apenas da Índia. O alerta ganha ainda mais força em janeiro, mês dedicado à campanha Janeiro Roxo, voltada à conscientização, prevenção e combate ao estigma.
De acordo com a dermatologista Alice Magalhães, da Novaimuno, unidade de saúde do Grupo CITA, em Salvador, a hanseníase é uma doença infecciosa e contagiosa, mas totalmente controlável quando diagnosticada e tratada corretamente. “O grande desafio ainda é o preconceito. A informação é fundamental para que as pessoas saibam que a hanseníase tem tratamento eficaz, disponível inclusive pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, destaca a especialista.
Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, a hanseníase é transmitida pelas vias aéreas superiores, por meio de gotículas eliminadas ao falar, tossir ou espirrar. A médica reforça que não há risco de transmissão por toque casual, como abraços, compartilhamento de roupas, talheres ou objetos pessoais. “Para que ocorra a infecção, é necessário contato próximo e prolongado com um paciente não tratado, além de uma carga bacilar elevada”, explica. O período de incubação da doença pode variar de seis meses a até seis anos, o que dificulta o reconhecimento precoce dos sintomas.
A doença pode atingir pessoas de qualquer idade e sexo. Entre os sinais mais comuns, segundo o Ministério da Saúde, estão manchas na pele com alteração de sensibilidade, formigamentos, fisgadas, redução da força muscular, comprometimento dos nervos periféricos, diminuição dos pelos e do suor nas áreas afetadas e, em alguns casos, nódulos dolorosos pelo corpo.
O diagnóstico é clínico, realizado por meio de exame dermatológico e neurológico, avaliando lesões e alterações de sensibilidade. “O tratamento é medicamentoso, contínuo e não deve ser interrompido, pois o abandono pode comprometer a eficácia e aumentar o risco de complicações graves”, alerta Alice Magalhães. A especialista reforça ainda que campanhas como o Janeiro Roxo são essenciais para ampliar o acesso à informação, estimular o diagnóstico precoce e reduzir o estigma que ainda afasta muitos pacientes do cuidado adequado.
Por Catharine Matos
