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Inclusão das baterias no leilão de reserva traz mais estabilidade ao setor elétrico e reduz desperdício dos cortes de energias renováveis, aponta consultoria
A avaliação é da consultoria CELA (Clean Energy Latin America), especializada em assessoria financeira e consultoria estratégica para empresas e investidores do setor de energia renovável no Brasil e no mundo. Segundo a análise da empresa, ao comtemplar as tecnologias de baterias neste leilão, o Sistema Interligado Nacional (SIN) ganha mais estabilidade e robustez. “Ao permitir o armazenamento da energia renovável gerada em horários de menor demanda, teremos uma redução importante dos efeitos dos cortes recorrentes da geração solar e eólica, o chamado constrained-off (ou curtailment), além de aumentar a flexibilidade operativa do sistema”, explica a especialista Camila Ramos, CEO da CELA.
Segundo a executiva, com tal medida, o Brasil poderá ingressar em um novo patamar de modernização do setor elétrico, incentivando o uso de tecnologias de ponta para garantir a segurança do fornecimento e viabilizar a o uso de mais fontes renováveis intermitentes no médio prazo. “Ao mesmo tempo, a inserção de sistemas de armazenamento acelera discussões técnico-regulatórias, impulsiona a inovação no setor e fomenta a digitalização do grid elétrico brasileiro”, acrescenta.
O leilão prevê a contratação de projetos de armazenamento com disponibilidade de potência mínima de 30 megawatts (MW) pelo equivalente a quatro horas de despacho contínuo por dia no sistema elétrico, com máximo de um ciclo de carga e descarga diárias, em horário definido pelo Operador Nacional do Sistema (ONS).
Segundo a CELA, todas as normas técnicas do edital ainda estão em fase de elaboração, mas é esperado que a metodologia de escolha dos vencedores seja uma combinação entre o menor preço fixo ofertado e a Capacidade Remanescente do SIN para Escoamento de Geração no barramento do projeto.
Já no modelo de remuneração, deverá ser determinada uma receita fixa mensal, corrigida pelo IPCA a cada 12 meses, com a possibilidade de receita adicional com serviços ancilares, desde que mantidos requisitos do leilão. Já o balanço de energia será liquidado no Mercado de Curto Prazo (MCP) e revertido para a Conta de Potência para Reserva de Capacidade (CONCAP). No volume do contrato, o vendedor não estará exposto ao risco de preços.
“Na prática, o leilão oferece um modelo com risco-retorno atrativo”, explica Camila. “Além de um modelo de receita fixa indexada à inflação e sem exposição ao risco de preços, o certame estabelece um prazo de quatro anos para execução dos projetos. Desta forma, vencedores poderão optar por arbitrar o melhor momento para compra dos sistemas, especulando uma queda adicional nos preços das baterias ou acelerando a implantação e antecipando a receita fixa (caso demonstrem benefícios técnicos e econômicos ao SIN com a antecipação). Se mantida desta forma, essa combinação de fatores pode gerar retornos acima da média”, aponta a especialista.
Mercado de US$ 12,5 bi em sistemas de armazenamento
Segundo estudo recente da CELA, o mercado brasileiro de sistemas de armazenamento energético deve atingir um crescimento de 12,8% ao ano até 2040, com um incremento de até 7,2 gigawatts (GW) de capacidade instalada no período.
De acordo com as projeções da CELA, o avanço do mercado de baterias a serem incorporadas na infraestrutura de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica no País pode movimentar mais de US$ 12,5 bilhões anuais, considerando as regulamentações atuais.
No entanto, pela análise da consultoria com incentivos adequados, regulamentações bem definidas e metas estabelecidas, esse potencial poderia ser ampliado para além dos 7,2 GW previstos e alcançar valores de até 18,2 GW, sem considerar o potencial dos chamados sistemas behind the meter, que são instalações particulares em indústrias, comércios, propriedades rurais e residências.
Sobre a CELA
A CELA – Clean Energy Latin America é uma butique de investimentos que presta assessoria financeira e consultoria estratégica a empresas e investidores do setor de energia renovável e transição energética na América Latina. É especializada nos setores de energia eólica, solar fotovoltaica, armazenamento de energia e hidrogênio verde. Trabalha com planos de negócios, a análise de viabilidade de projetos, captação de recursos, M&A, project finance estruturação financeira de PPAs no mercado livre e regulado.
Por Thiago Nassa
