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Aeroportos pós-Carnaval: mais de 56 mil processos ligados ao ‘transporte aéreo’ foram registrados na Bahia entre 2023 e 2026
Encerrada a temporada oficial do Carnaval, os aeroportos de todo o Brasil receberam brasileiros e turistas com destino a rotas nacionais e internacionais. O translado, no entanto, pode ser mais estressante nessa época do ano. Segundo dados da plataforma Escavador, os processos relacionados ao transporte aéreo cresceram cerca de 9,4% nos últimos três anos, com queixas por atraso ou cancelamento de voos, extravio de bagagem, acidentes aéreos e outras ocorrências.
Os dados foram divulgados na manhã desta sexta-feira, 20, pelo Escavador, que aponta mais de 1,8 mil processos ‘em aberto’, apenas no mês de fevereiro. As companhias aéreas deverão responder por atrasos e cancelamentos costumeiros nesse período, além da prática do ‘overbooking’, quando há venda de passagens superior ao número de assentos disponibilizados nos aviões – que já contabilizam 813 processos nos tribunais, somente no ano de 2026.
Entre os destinos mais procurados da temporada, os estados da Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro também respondem pelo maior contingente de processos ligados ao ‘transporte aéreo’ no país. No último triênio (2023 a 2026), cerca de 721 mil ações foram movidas no Brasil, com o principal trio turístico acumulando mais de 300 mil processos – o que equivale a 41,6% do montante total.
Embora sejam as principais rotas turísticas do período festivo, os aeroportos de Congonhas, Guarulhos, Luís Eduardo Magalhães e Tom Jobim devem enfrentar uma série de processos, ainda no mês de fevereiro. A análise do Escavador aponta que a média mensal de queixas no segundo mês do ano chega a 13 mil registros, seguido pelo mês de março, com 19 mil processos.
De acordo com Dalila Pinheiro, Senior Legal Analyst e DPO do Escavador, os meses de fevereiro e março são termômetros cruciais para o ano, visto que a época coincide com o período de Carnaval. “Acompanhar esses indicadores nos primeiros meses do ano é fundamental para compreender o comportamento do setor e incitar ações que possam beneficiar os passageiros e resguardar as companhias aéreas”, explica.
A preocupação apontada pela especialista vem do último ‘salto’ no número de casos judiciais, envolvendo o transporte aéreo. Em 2024, foram contabilizadas cerca de 209 mil ações movidas na Justiça, seguido por 258 mil processos em 2025. O percentual de crescimento, segundo avaliação do Escavador, é de 23%; acima da média de 9% do último triênio.
Devido à superlotação nos aeroportos, os voos costumam apresentar, nesta época do ano, ainda mais preocupações para os passageiros. A categoria de ‘extravio de bagagem’, por exemplo, acompanhou o crescimento das insatisfações apresentadas contra as companhias aéreas. Nos últimos três anos, o número de processos nesse segmento passou de 14 mil em 2023, recuou para 13,7 mil em 2024 e saltou para 18,7 mil em 2025.
“O crescimento das ações judiciais evidencia que os consumidores estão mais atentos aos seus direitos e que o setor precisa reforçar práticas preventivas e soluções rápidas para evitar a judicialização das reclamações; o que inevitavelmente acaba afetando o preço das passagens”, reitera Dalila.
Atraso e cancelamento de voos somam 500 mil processos no Brasil
Embora as práticas do ‘overbooking’ e do extravio de bagagens ganharem destaque nos últimos anos, o ‘atraso e o cancelamento dos voos’ ainda são os principais motivos de reclamação e ações movidas por passageiros. Segundo o Escavador, os processos relacionados ao ‘atraso de voo’ chegam a 221 mil processos, enquanto a categoria ‘cancelamento’ contabiliza 329 mil ações. Em ambos os casos, o estado de São Paulo lidera a quantidade de processos.
“Estamos vivendo um momento singular na Justiça brasileira em relação às ações contra companhias aéreas. O Supremo Tribunal Federal determinou recentemente a suspensão de todos os processos sobre responsabilidade por atrasos e cancelamentos de voos, enquanto aguarda uma definição sobre qual lei (o Código de Defesa do Consumidor ou o Código Brasileiro de Aeronáutica) deve ser aplicada nesses casos, o que gerou insegurança jurídica no setor e dúvidas entre passageiros e operadores. A decisão agora coloca em xeque como os passageiros poderão lidar com a principal causa de insatisfação e ações movidas na Justiça, relacionadas ao transporte aéreo”, conclui.
Distribuição de processos ligados ao transporte aéreo por estado (2023-2026):
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São Paulo – 181 mil
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Rio de Janeiro – 63 mil
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Bahia – 56 mil
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Minas Gerais – 41 mil
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Amazonas – 40 mil
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Rio Grande do Sul – 38 mil
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Santa Catarina – 32 mil
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Mato Grosso – 31 mil
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Goiás – 28 mil
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Rondônia – 27 mil
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Paraná – 26 mil
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Espírito Santo – 21 mil
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Paraíba – 21 mil
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Ceará – 17 mil
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Pernambuco – 17 mil
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Maranhão – 15 mil
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Pará – 14 mil
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Sergipe – 9 mil
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Piauí – 9 mil
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Alagoas – 8 mil
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Acre – 5 mil
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Tocantins – 4 mil
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Amapá – 2 mil
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Distrito Federal – 2 mil
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Rio Grande do Norte – 778
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Mato Grosso do Sul – 171
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Roraima – 5
Antonio Anselmo
